Mais de 90 funcionários são demitidos após pedido de recuperação judicial de empresa em Monsenhor Paulo
11.03.2026
Grupo MGM entrou com um pedido de recuperação judicial. Ex-funcionários cobram pagamentos.Mais de 90 trabalhadores foram demitidos do Grupo MGM, empresa do setor de portas, janelas e fechaduras, em Monsenhor Paulo (MG). O grupo entrou com um pedido de recuperação judicial, e ex-funcionários, junto ao sindicato da categoria, cobram o pagamento de salários e verbas rescisórias atrasados.
O Grupo MGM confirmou o pedido de recuperação judicial, mecanismo jurídico utilizado quando a empresa reconhece que possui dívidas e não consegue quitá-las no momento. O valor total das pendências e a lista de credores não foram divulgados, já que o processo corre sob segredo de justiça. Em nota, a empresa afirmou que as operações e o atendimento a clientes e fornecedores seguem “dentro da normalidade”.
Segundo ex-funcionários, porém, demitidos entre janeiro e fevereiro, os salários dos meses trabalhados em 2026 e as verbas rescisórias não foram pagos. Entre 18 e 20 de fevereiro, a empresa realizou uma demissão coletiva.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Monsenhor Paulo, Carlos Petroceli, afirma que a entidade chegou a solicitar informações oficiais à MGM, mas não recebeu retorno.
“Nós enviamos e-mails em janeiro e fevereiro, porque percebemos que se tratava de uma demissão em massa. Passados os dez dias legais para o acerto rescisório, vimos que ninguém tinha recebido nada”, afirma Petroceli.
Diante da situação, o sindicato entrou com uma ação civil coletiva, pedindo tutela de urgência. A Justiça deferiu o pedido e, em decisão de 27 de fevereiro, determinou a anulação das demissões e a reintegração dos funcionários. O prazo para cumprimento venceu na semana passada, sob pena de multa. A empresa recorreu da decisão.
O sindicato e o Grupo MGM marcaram uma reunião para esta quinta-feira (12). Há interesse da entidade em negociar parte dos pagamentos fora da recuperação judicial, para tentar adiantar ao menos os salários atrasados.
O advogado do sindicato, Pablo Vilani Vilela, afirma que o valor devido pode ultrapassar R$ 1 milhão, considerando salários e verbas rescisórias.
“Estimamos mais de 96 trabalhadores afetados. Vamos tentar que a empresa pague imediatamente pelo menos os salários, e depois negociar as rescisões e benefícios, como plano de saúde e vale-alimentação, enquanto não recebem pelo plano da recuperação”, explica.
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